Pular para o conteúdo principal

Samarco, Vale e 22 pessoas serão julgadas por desastre em Mariana

A Justiça Federal, em Minas Gerais, acatou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal e tornou réu 22 pessoas, a mineradora Samarco, suas acionistas Vale e BHP, e também a VogBR, apontadas como responsáveis pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.


O estouro da barragem, em cinco de novembro do ano passado, matou 19 pessoas e provocou um tsunami de lama que avançou sobre a bacia do rio Doce até chegar ao litoral capixaba, sendo considerado o maior desastre socioambiental do Brasil.
A decisão foi assinada no dia 16 pelo juiz federal Jacques de Queiroz Ferreira, da Justiça de Ponte Nova em Minas. As empresas são acusados pelos crimes de homicídio, desabamento ou desmoronamento e inundação. O juiz deu prazo de 30 dias para que os réus apresentem sua defesa. Somente depois de analisar as argumentações, a Justiça vai decidir se os denunciados irão a júri popular.  Ferreira determinou também a prioridade na tramitação e a retirada de sigilo do novo processo.

Entre os réus, estão o diretor-presidente da Samarco na época do desastre, Ricardo Vescovi, o diretor de Operações e Infraestrutura, Kleber Luiz de Mendonça Terra, e o gerente geral de Projetos Estruturantes, Germano Silva Lopes. Todos eles já tinham sido denunciados também pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual (MPE).



Das 22 pessoas denunciadas, apenas o engenheiro da VogBR Samuel Paes Loures não foi acusado de homicídio com dolo eventual - quando se assume risco de matar. Ele responderá, juntamente com a VogBR, pelo crime de apresentação de laudo ambiental falso.
Para o Ministério Público Federal, a as empresas e os denunciados não tomaram medidas satisfatórias para evitar o acidente. Ao contrário, os executivos  teriam apoiado um processo de aumento na produção na região que teria colaborado com o rompimento da barragem de rejeitos de mineração.
Por meio de nota, a Samarco informou que ainda não foi citada no processo. A mineradora, contudo, afirmou que, em sua denúncia, "o Ministério Público Federal desconsiderou as defesas e depoimentos apresentados ao longo das investigações iniciadas logo após o rompimento da barragem de Fundão e que comprovam que a empresa não tinha qualquer conhecimento prévio de riscos às suas estruturas". A Vale rejeitou os termos da denúncia e afirmou que adotará medidas cabíveis perante o Poder Judiciário para comprovar sua inocência e de seus executivos e empregados. A BHP ainda não se posicionou sobre a aceitação da nova denúncia.

Rejeitos continuam espalhados e obras estão atrasadas

Um ano após a tragédia, os 40 milhões de m³ que vazaram após o colapso da barragem de Fundão ainda não foram removidos e continuam espalhados em um raio de 115 km na região. Com a chegada do período de chuva, o perigo de que essa massa de rejeitos de minério volte a se deslocar, poluindo ainda mais a bacia do Rio Doce, é grande. Segundo a presidente do Ibama, Suely Araújo, as obras para conter a lama estão atrasadas e a turbidez - presença de partículas em suspensão – da água próximo ao local do rompimento da barragem está acima do normal.
Desde o rompimento da barragem, o Ibama emitiu 69 notificações à Samarco, sendo algumas sobre determinações de como proceder em algumas situações e outras comunicando algumas irregularidades. Segundo o órgão ambiental, a mineradora cumpriu apenas 5% das recomendações feitas. O descumprimento da Samarco em adotar medidas de controle para acabar com a degradação ambiental fez o Ibama aumentar o número de multas aplicadas à mineradora, que agora possui 13 autos de infração, que já ultrapassam 300 milhões de reais. A última infração aplicada no dia primeiro de novembro prevê uma multa diária de 500 mil reais. A mineradora está recorrendo de todas elas.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sabões, detergentes e seus impactos no meio ambiente

Você já se perguntou o que acontece com a espuma do detergente que vai para o ralo depois que você lava a louça?  Diariamente, sabões, detergentes e os mais variados produtos de higiene usados nas residências e indústrias atingem o sistema de esgotos e, sem o devido tratamento, acabam indo parar em rios e lagos. Lá, causam diversos efeitos nos corpos hídricos e na vida aquática. Primeiramente, é preciso entender qual é a constituição dos sabões e detergentes. Ambos possuem substâncias denominadas  tensoativas,  ou seja, diminuem a tensão formada entre dois líquidos. Assim, elementos como a água e o óleo perdem a capacidade de se manterem separados. Não é à toa que costumamos usar os produtos para limpeza em geral. Os detergentes possuem outros compostos para melhorar o poder de limpeza, como os agentes  sequestrantes e quelantes , que também causam impactos ao meio ambiente. Para o produto ter atratividade e resistir longos períodos na prateleira do supermercado...

Veja aqui a lista das 11 cachoeiras mais belas do mundo!

Cataratas do Iguaçu - Brasil Há quem diga que é a mais bonita do mundo, e nós brasileiros, temos muito orgulho disso. São 275 quedas de água no Rio Iguaçu, entre o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná e o Parque Nacional Iguazú em Misiones, na Argentina. Patrimônio da Humanidade, as Cataratas entraram para a lista das Sete Maravilhas Naturais do Mundo com 1 bilhão de votos, ao lado da Floresta Amazônica e Rio Amazonas.   Angel Falls - Venezuela Se levar em conta a altura, a Salto Angel, localizada na Venezuela, é a maior do mundo. Ao todo, são 979 metros de altura, sendo que a queda mais alta tem 807 metros! Mas fique ligado porque o acesso não é tão simples assim. Por estar num local isolado, no meio da selva inabitada, só é possível chegar lá de avião partindo de Puerto Ordaz ou Ciudad Bolívar para depois pegar uma balsa na entrada do rio que leva até a cachoeira. E, apesar de venezuelana, a Salto Angel foi batizada em homenagem ao aviado norte-americano Jimmie Angel, qu...

Pesquisadores da UFLA criam tijolos a partir de lama da barragem que se rompeu em Mariana, MG

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras (UFLA) prevê o aproveitamento do resíduo da extração de mineração para a criação de tijolos e outros materiais para a construção civil. Os resíduos, com terra, cimento e água são misturados dentro de uma prensa e formam blocos, telhas e pisos ecologicamente corretos. A alternativa aparece como uma possível solução para os rejeitos da mineração que se tornaram um problema após a tragédia do rompimento da Barragem de Fundão em Mariana (MG) em novembro de 2015. Na época, 19 pessoas morreram e uma enxurrada de lama atingiu o Rio Doce, atingindo 40 cidades da região. O resíduo mineral substitui parte do cimento utilizado na fabricação desses itens utilizados na construção civil e podem reduzir em até 30% o preço total do produto. Segundo os pesquisadores, a eficiência deles já foi comprovada e não há nenhum risco em utilizar os blocos feitos a partir dos restos da mineração. "Ele é duplamente ecológico, primeira ...